2020

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Surfe 2016 - A Tempestade Brasileira

Atualizado: Abr 29


O surfe brasileiro tem ganhado destaque no cenário esportivo internacional, atualmente somos os bicampeões mundiais da principal categoria masculina, com uma safra de talentos que tem se perdido no horizonte. E a temporada de 2016 acaba de começar, e tem tudo para consolidar os brasileiros como os grandes favoritos a mais um título mundial.

O Cenário do Surfe Profissional


Uma expressão cultural, é assim que definimos antes de tudo o surfe. Ele esta em um lugar entre o estado de espírito e integração à natureza, e no Brasil, assim como em todos os países do pacífico, sempre foi tratado como essa expressão cultural, um culto esportivo em si, transcendendo a barreira da competição - assim o esporte foi atraindo adeptos e fãs, até que a cultura do surfe emergiu das ondas para a arte - moda, música, cinema e tecnologia audiovisual, e é um campo que vai além da prática esportiva, por fim cria as melhores imagens possíveis, onde se integram, o competir, relaxar, transcender, natureza e o espaço de competição, Surfista - Mar - Ondas, onde nada está parado, tudo se move e esse equilíbrio gera resultados possíveis de se compreender e transformá-los numa competição, entre pessoas, povos e países, sem abrir mão da essencial entre o corpo e a alma.


Já o esporte - no início era um cenário do surfe masculino dominado por australianos e americanos, até que os havaianos começaram a quebrar essa hegemonia, inclusive nas épicas e acirradas disputas entre Kelly Slater e Andy Irons, nos mares do Havaí, para ilustrar melhor essa disputa, há um conceito eterno, em que todo e qualquer surfista que não seja natural havaiano, sempre será "rauli".


O têm Havaí disputado o campeonato de surfe com sua própria bandeira, como nação independente dos Estados Unidos, conservando assim o surfe como essência cultural do povo Havaiano. Mas ao longo das competições profissionais de surfe, não foram os havaianos que dominaram o cenário e abaixo descrevo os números de títulos de cada país.


Vale também a menção e pesquisa sobre as divisões do surfe feminino e surfe de ondas grandes, em que o Brasil é capitaneado pelo mestre Carlos Burle.



Países Campeões desde 1964

(Divisões Unificadas)

Austrália - 20

Estados Unidos - 19

Havaí - 5

Brasil - 2

Peru - 1

África do Sul - 1

Reino Unido - 1


O Havaí ainda teve em seu time de campeões atletas como Derek Ho e Sunny Garcia, quebrando assim essa bipolaridade do Surfe, os outros países campeões da principal divisão do surfe foram Peru (tido como os precursores da modalidade no pacífico), África do Sul e Reino Unidos, já atualmente, quem ameaça essa estabelecida hegemonia, principalmente dos Australianos, é o Brasil, com a conhecida tempestade brasileira.


A Competição e o Título Mundial



A Competição do Circuito Mundial de Surfe (WCT atualmente WSL), é dividida em 11 etapas, sagra-se o campeão aquele que somar o maior número de pontos em cada etapa do circuito ao longo do ano.

A pontuação geral dos surfistas ao fim da temporada leva em conta 9 dos 11 melhores resultados pessoais no ano. Ou seja, cada atleta terá descartada suas duas piores etapas na corrida pelo título.


1º colocado - 10.000 pontos (Campeão)

2º colocado - 8.000 pontos (Vice-campeão) 3º colocado - 6.500 pontos (Os eliminados nas semifinais) 5º colocado - 5.200 pontos (Os eliminados nas quartas de final) 9º colocado - 4.000 pontos (Os eliminados na 5ª fase) 13º colocado - 1.750 pontos (Os eliminados na 3ª fase) 25º colocado - 500 pontos (Os eliminados na 2ª fase)


Em cada etapa são definidas chaves de disputa (baterias), os maiores pontuadores nessas baterias se classificam. As chaves iniciais são feitas por três competidores, sendo que o primeiro colocado segue para a próxima fase diretamente, já os outros dois competidores vão para repescagem em novas baterias (2ª Rodada) para disputar a passagem à próxima fase da etapa. O tempo de duração de cada bateria é de 35 minutos.


A pontuação para cada onda é definida por cinco juízes, cada um deles define uma nota até dez, sendo que a menor e maior nota dos juízes são desconsideradas e as três notas restantes estabelecem uma média, que será a nota considerada. Cada surfista pode pegar um número ilimitado de ondas, e a soma das duas maiores notas determina o vencedor da bateria.


Os fatores de avaliação para cada onda surfada são variados, em cada etapa do mundial de surfe - determinadas manobras podem valer mais ou menos pontos, entre outros fatores de avaliação, sendo eles subjetivos, mas integram o fator surfista-onda.


Em algumas etapas são consideradas notas de manobras, sendo elas aéreas, rasgada - cutback, batida no lip, floater (...), considerando assim a plasticidade, versatilidade e o grau de dificuldade - entre a onda e o surfista, já as etapas do circuito consideradas clássicas, tais como as etapas de Fiji, Taiti e Havaí, os juízes consideram as notas em tubos, já os fatores são o tempo de permanência do surfista dentro de um tubo, profundidade, e a integridade, tanto na entrada (drop) até a saída (saindo junto ao bafo da onda) e o nível crítico da onda - a própria dificuldade na entrada e saída.


As Manobras



Aéreo

O surfista salta sobre a onda, podendo executar diferentes tipos de manobra no ar.

Batida no Lip (Crista da Onda)

O surfista bate com o fundo da prancha (parte baixa) na crista da onda (Lip).


Cutback

Manobra que envolve duas trocas de sentido no movimento do surfista, em ziguezague e igualmente cortando a onda.


Floater

O surfista percorre um trecho com a prancha em contato com a crista da onda.


Rasgada

O surfista faz rápida troca de direção, apoiando o pé mais próximo a rabeta (parte de trás) com força para espirrar o máximo de água possível para fora da onda, ou seja, rasgar a onda, ou batida.


O conceito de nota final dos juízes, sempre será um conjunto de fatores, sendo eles subjetivos, porém compreensíveis de se entender ao final de cada onda, pois grandes ondas facilmente satisfazem ao público, dando assim sentindo, ao que compreendemos como esporte.


As etapas de 2016 já têm datas definidas, elas ocorrem num espaço de tempo de 11 dias, pois para cada etapa a organização aguarda os dias que podem ter melhores condições de onda, geralmente considerando o Swell (Vento Terral), o vento que sopra da terra em direção ao mar, e o melhor volume da maré, para a formação da melhor qualidade de ondas.


As Etapas 2016



Gold Coast (Austrália) - 10 a 21 de março Bells Beach (Austrália) - 24 de março a 5 de abril Margaret River (Austrália) - 8 a 19 de abril Rio de Janeiro (Austrália) – 10 a 21 de maio Namotu (Fiji) - 5 a 17 de junho Jeffreys Bay (África do Sul) - 6 a 17 de julho Teahupo'o (Taiti) - 19 a 30 de agosto Lower Trestles (EUA) - 7 a 18 de setembro Landes (França) - 4 a 15 de outubro Peniche (Portugal) - 18 a 29 de outubro Pipeline (Havaí) - 8 a 20 de dezembro

Esse ano, grandes competidores e os principais adversários dos brasileiros, podem não competir diretamente pelo título, tal como Mike Fanning (disputará algumas provas apenas) e Owen Wright (Contusão). Os principais competidores da categoria WSL são definidos pelo ranking do ano anterior (22 vagas), porém em cada etapa novos competidores podem entrar na disputa do principal circuito com base em classificações e convites, ou pela classificação do ano anterior do WQS - Divisão de Acesso (10 vagas).


A Tempestade Brasileira


A tempestade brasileira foi sem dúvida se desenhando há muitos anos, com atletas conhecidos como os irmãos Padaratz (Teco e Neco), Fábio Gouveia, Vitor Ribas, Armando Daltro e tantos outros do cenário do surfe, sendo esses os desbravadores de picos, que foram abrindo caminho até essa tempestade brasileira chegar e chegar para ficar.


Enquanto o cenário na divisão principal parecia sempre ser dominado por americanos e aussies (australianos), nas divisões juniores e de acesso a hegemonia é brasileira (10 títulos WQS), contra Austrália (6 Títulos WQS). Agora os brasileiros, são tidos como francos competidores, e não querem apenas títulos em divisão de acesso.


Os Brasileiros em 2016



Adriano de Souza (Mineirinho) 29 anos Guarujá (SP) Títulos - 1 (2015) Temporadas - 10

Colocação 2015 - Campeão

Caio Ibelli 22 anos Nascimento: São Paulo (SP) Estreia em 2016

Filipe Toledo 20 anos Ubatuba (SP) Temporadas - 3

Colocação 2015 - 4º

Gabriel Medina 22 anos Maresias (SP) Títulos - 1 (2014) Temporadas - 5 Colocação 2015 - 3º

Ítalo Ferreira 21 anos Baía Formosa (RN) Temporadas - 1

Colocação 2015 - 7º

Jadson André 25 anos Natal (RN) Temporadas: 5 Colocação 2015 - 23º Colocado

Miguel Pupo 24 anos Itanhaém (SP) Temporadas: 5

Colocação 2015 - 27º Colocado

Wiggolly Dantas 26 anos Ubatuba (SP) Temporadas - 1 Colocação 2015 - 16º Colocado


A tempestade brasileira, essa conhecida mundialmente como Brazilian Storm se consolidou quando notaram uma diferença dos brasileiros aos demais competidores - a competitividade, a união e os feitos inéditos conquistados pelos brasileiros, aliando-se a isso uma geração com um talento único, versáteis, tanto nos tubos como em manobras, entre elas os aéreos.


Os campeões Gabriel Medina e Adriano de Souza têm se destacado com um estilo de surfe diferenciado, manobras aéreas impensáveis e diferente ginga, bem próprio dos atletas brasileiros. Outro atleta que se destaca é Filipe Toledo, filho do bicampeão brasileiro de surfe - Ricardo Toledo, outros atletas também valem a menção, por conseguirem se estabelecer no cenário da principal divisão do surfe, como Wigolly Dantas, Alejo Muniz, Jadson André, Caio Ibelli e Samuel Pupo.


A grande menção que vale para todo esse cenário favorável é o surfista e candidato a grande ídolo do esporte nacional, Gabriel Medina, além de seus aéreos impraticáveis, Medina usa o como pode e deve as estratégias de jogo do surfe, se destacando em baterias emocionantes, tal como a emoção propagada por um gol; fazendo do surfe um esporte de competição.

Desde que surgiu Medina tem se mostrado um competidor que alia a técnica com sede de vitória, são baterias táticas e com uma versatilidade de manobras que não deixam dúvidas nos juízes, tendo como resultado de seu desejo de vitória. Com o primeiro título mundial para o Brasil, ele acabou abrindo assim, o caminho final para a tempestade brasileira dominar as areias e mares do mundo.


Medina fez uma competição irretocável em 2014, além de uma final impensável, sagrando-se campeão quando estava pronto para iniciar sua bateria - numa disputa entre Alejo Muniz e Mick Fanning, o argentino naturalizado brasileiro eliminou o australiano e tirou suas chances de vencer o título, sagrando assim Medina o campeão de 2014, então Medina saiu da água para comemorar com a torcida e seu inseparável staff familiar, mas ainda assim retornou para água, faltando pouco mais de dez minutos de bateria e ainda conseguiu eliminar o compatriota Filipe Toledo, por fim fez uma disputa na final com Julie Wilson, já essa final foi igualmente emocionante, deixando uma discussão sobre as notas dos juízes, de terem favorecido Julie Wilson na disputa da final de Pipeline, Julie nessa final venceu a etapa e também ficou com o título da tríplice coroa havaiana - disputa paralela em três etapas no Havaí.


Campeonato 2016



Se 2015 corou o incansável e igualmente obstinado Adriano Souza - O Mineirinho, o de 2016 tem tudo para coroar novamente um brasileiro, e as grandes apostas ficam em Gabriel Medina. Além dos últimos campeões mundiais, quem busca seu título é Filipe Toledo, quarto colocado em 2015, e sem dúvida Ítalo Ferreira, o mais atrevido da turma, praticando um surfe de velocidade e com o estilo brasileiro inconfundível - ousadia, não à toa ele estreou em 2015 e se tornou indigesto para todos os competidores, Wigolly Dantas e Caio Ibelli e Samuel Pupo farão páreo para os outros competidores do circuito mundial, mas em meio a tempestade brasileira eles têm buscado melhores estratégias e uma definição de estilo para aprimorar suas técnicas.



O que tem mais chamado a atenção nas competições é a magia dos brasileiros, em especial do Gabriel Medina, mas toda a turma brasileira tem conseguido feitos diferenciados e por mexer na hegemonia de Kelly Slater em pouco tempo, num ano em que além de Slater, Jeremy Irons, Joel Patterson e Mick Fanning não têm demonstrado que irão competir para vencer, tão pouco Owen Wright.


Outras promessas que ainda não mostraram todo potencial, ou o mesmo foco brasileiro na competição, mas que podem em qualquer momento despontar como fortes competidores e até campeões são John John Florence e Julie Wilson, que conseguem fazer épicas baterias contra os brasileiros, mas até agora se perderam em momentos cruciais das competições.


O Surfe não é só isso, descrito nesse texto, nem é apenas isso a competição de surfe, mas a tempestade brasileira ainda mostrará o quanto pode ser - até agora tem mostrado a cara de um Brasil que dá certo, um caminho para nosso esporte e cultura, só resta torcer por eles, nos alegrar, enquanto no mar acontece a Tempestade Brasileira.


SURFE 2016 - A TEMPESTADE BRASILEIRA

Policarpo Praxedes (2016)


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