2020

II -Segundo Ato

Aproveite a Leitura

  • O Policarpo

Civilização - Um Mundo Criado Pelas Mulheres




Se tornou uma discussão crônica e tola, o machismo no mundo e as aspirações feministas, e como os espaços sociais (econômicos) no mundo foram sendo tomado pelos homens, enquanto para as mulheres caberia funções sem grande valor - mas será que são?


I - A Eterna Guerra dos Sexos -------------------------------------------------------


Eu pergunto - haveria dois sem um? Dia sem noite? Vida sem morte? Início sem fim?Paz sem guerra? Ódio sem amor? Homem sem mulher? Uma coisa sem outra?Haveria classificação ou compreensão possível do que nos é agradável, sem o que possa nos ser desagradável, e a beleza sem a necessidade do imperfeito - essa complementariedade já é o esboço básico, e conclusão sobre a necessidade de que além de tudo, não haja discussões sobre a necessidade da união de diferentes polos, e que esta união seja a culminação que nos aproximemos do perfeito e transcendamos o banal.


As funções sociais consideradas femininas, são conceituadas por uma compreensão popular universal, sendo elas - cozinhar, cuidar da casa, crianças, dar à luz (função biológica) - gerar descendentes (Gerar e Nutrir a Vida - para que ela exista), cuidar de seus maridos, pais, ou qualquer homem que seja e outras mulheres.


As mulheres foram então sendo esculpidas assim no imaginário real e irreal da humanidade - a de cuidadoras e educadoras. Um suposto fardo para as mulheres e uma necessidade para toda a humanidade. As alegorias e representações remetem sempre aos instintos básicos de qualquer espécie animal, ou seja, satisfazer a fome, libido, afeto, cuidados, ensinamentos e satisfações outras - funções que necessitam do componente feminino, porém essa relação da mulher e a sociedade nunca foi explicitada de seu real motivo ou causas. Como então a sociedade chegou a tal conclusão, ou quem realmente criou o mundo à essa maneira? - Ao longo do texto, a conclusão para tal resposta.


II - A Crise de Identidade, Papéis Sociais e Castigos --------------------


O mundo atual passa por uma distópica crise de gênero identitário e as mulheres ganharam novo status social (e já há décadas essa condição foi construída). Esse status funde-se aos papéis historicamente masculinos.


Ao mergulharmos na história, sendo ela real ou mitológica nos deparamos com inúmeras figuras femininas, relativas à força, poder e tantas outras virtudes, personagens tais como Cleópatra (s) - rainhas egípcias, ou Atena - já ela, figura mitológica, representativa da cultura grega, filha de Zeus. O nascimento de Atena é uma rica alegoria por sinal, saiu da cabeça de Zeus, após uma cirurgia feita pelo ferreiro Hefesto - Zeus reclamava de uma insuportável dor de cabeça e lá estava Atena, sua filha (sua representação em Ilíadas de Homero, ela se opua as decisões de Zeus e do Olimpo de diferentes formas). Na mitologia romana ela é equivalente e conhecida como Minerva, ambas com similaridades, porém diferentes, já seus símbolos regeram as ações dos homens da antiguidade em prol do trabalho, artes, ciência, religião, cultura e guerras.


A deusa Minerva, inclusive é a quem se relaciona a frase - "um voto de Minerva", ou seja, um desempate, nos dias atuais, cabe as mães esse voto de desempate (palavra final), ou liberação à um pedido do filho, do qual o pai prefere não proibir ou concluir a melhor solução ao pedido do filho. E o desacato à mãe pode representar menor dor física, porém é passível de castigos - chinelos voadores e outras tantas repressões, mais complexas que qualquer masmorra criada pelos homens (na verdade antecessoras). Ou a própria masmorra - é a representação metafórica dos castigos maternos da infância. Pois é, todas as crianças do mundo sofrem um nível de repressão (cruel e sútil), porém esses serão uma eterna prisão para nossas almas.


Abaixo um fragmento de um pensamento sobre a repressão primordial em nossos atos e cultura:

Quando nossas mães, ou mulheres, próximas a nós determinam o que devemos ou não colocar na boca, modos, postura, limites (...). Talvez assim elas tenham coibido o canibalismo nas espécies - ou uma simples vontade de irmãos devorarem irmãos, pais - filhos e assim por diante, inserido os reais complexos que nos cercaram para sempre.

III - Os Avanços da Civilização e os Símbolos Femininos -------------

As mulheres sendo reais ou irreais, sempre povoaram além da vida real - o imaginário humano masculino, pois representam alegorias fundamentais em todas as religiões


E se nos endaguassemos, e houvesse uma real ou ideal motivação pelas grandes mobilizações da história da humanidade - pois, quem mais seria a fiel confidente próxima a imperadores, czares, generais, presidentes, governantes, ditadores, mobilizando assim por indiretas sugestões - tropas, impérios, colônias, buscas, transformações, infindáveis descobertas e progresso do homem, tal como a conhecida rota da seda; guerras e conflitos - relações comerciais, apenas para atender às necessidades das mulheres de se vestirem bem e assim sentirem-se bem, com belos tecidos, a tal ponto de causar desconforto e inveja em outras mulheres (competir).


Retomando os recortes idealizados dos "papéis' - às mulheres se espera que possuam diferenciada destreza no tear, tecelãs e costureiras, com tamanha atenção e paciência para cuidar dos mais impensáveis detalhes de um bordado, que para os homens não passaria de excesso e tolice. Já aos homens, coube fazer a máquina de tecer, plantar o algodão, escravizar outros homens para aumentar a produção de algodão, buscar meios de captar seda de insetos, mesmo que fosse por vezes tarefas perigosas e mortíferas, entalhar e moldar palácios em destreza de detalhes, expressando complexos fetiches em arte e na cultura, até chegar ao ponto de mobilizar o continente europeu em destino ao continente asiático, os desdobramentos e meandros dessa história são extensos.


É até estranho ouvir que o mundo sofre um "regimento machista", pois desconheço escolas que ofereçam instruções primárias com homens, são todas mulheres, e assim é em berçários, maternidades; assim como as professoras mulheres, que oferecem aos pequenos estudantes o respeito e a educação necessária, que possivelmente homens não forneceriam às crianças em um "estágio selvagem" da vida, e dismórfico da maturidade humana, estágio esse fundamental ao regimento de valores, concomitantemente ao desenvolvimento intelectivo emocional.


A repressão que eu sugeri sublinhada acima - quanto ao que se deve colocar ou não na boca, é algo que pode nos mobilizar a falar, a expressar em choro, pedir coisas, comida, atenção - como dialeto materno e estrutura de comunicação primária, antes de dizer mãe e além dos estímulos necessários ao aprendizado da fala - temos o estímulo aos movimentos, estes em busca do peito que nos amamentou e comidas outras, para explorar um mundo de possibilidades e sucessivamente assim, em destino aos traços mais complexos e sofisticados em posterior fase.


Retornando à história - Ghengis Khan, tido como o maior general expansionista da humanidade iniciou os primeiros conflitos nos estepes mongóis motivado pelo sequestro de sua mulher amada*, até então sua primeira esposa, porém ao longo do imperialismo mongol, Ghengis Khan conquistou outras mulheres e assim unificou a Mongólia, até conquistar a China, ele parecia se motivar e retirar forças das mulheres com quem se deitava, e mesmo de sua própria história, em que sua mãe foi roubada de outro Clã pelo seu pai, e ela o defendia contra inimigos que o queriam morto desde jovem.

*Esse fato se mistura com lendas, pois seria inconcebível um homem fazer guerra por mulheres na cultura mongol - porém no fundo, talvez todas as guerras tenham sido motivadas em sua raiz primária, pela representação feminina no psiquismo do homem (retomando as ideias sobre o Complexo de Édipo freudiano).


IV - As Mulheres - Entre Lendas, Revoluções e Fatos --------------------


Já outro grande império o de Roma, foi construído inicialmente por uma lendária história, em que dois irmãos gêmeos foram abandonados em um cesto no Rio Tibre, então eles foram encontrados à margem do rio por uma loba, que amamentou-os, e a partir dali, deram início ao que seria conhecido como o mais vindouro império da humanidade. Moisés tem história similar, quanto a ser deixado à deriva em um rio, e ser adotado pelo Faraó do Egito e criado pela irmã do Faraó, até se rebelar e libertar os escravos Hebreus - no conhecido Êxodo.


Outro império considerado longevo, este dos tempos atuais - a Grã-Bretanha, é envolto a uma confusa história, que envolve tantos elementos míticos como religiosos - revoluções sociais e culturais religiosas, a tal ponto de mudar a mundo. Desde a era medieval este império aliás, sempre criou grandes revoluções, até se consolidar numa revolução intensa - a industrial, iniciada pela ampliação dos processos produtivos de tecidos e consequente alteração do modelo econômico do mundo.


As histórias míticas do império Britânico também são envoltos por guerras, conquistas, expansionismo, colonização, e algumas das figuras masculinas mais reais são grandes lendas, como Rei Arthur e o cavaleiro Lancelot, porém estes, sempre vivendo em função de mulheres (tais como nos contos de fadas - Princesas, Rainhas, Bruxas, Fadas, Feiticeiras - os homens por fim, fazem uma figuração, fundamental, porém figuração; príncipes acordando princesas com beijos, salvando-as de rainhas megeras e retirando feitiços de bruxas malignas e invejosas - entre outras histórias, muitas dessas dos lendários Irmãos Grimm). Na parte real da história do Reino Britânico, são as mulheres que tem estabelecido supremacia ao longo de gerações, inclusive na grande expansão do império britânico desde as cruzadas, até o descobrimento dos Estados Unidos da América, atual grande império da humanidade - cultural e econômico!


É estranho que hajam tantas figuras envoltas em mistérios para a compreensão humana, assim como Ísis no Egito, ou Virgem Maria e Maria Madalena no Cristianismo. Até mesmo no reino animal, são as Rainhas que verdadeiramente comandam formigueiros, colmeias, alcateias de felinos, manadas de elefantes e tantos outros coletivos, que envolvem sempre machos e fêmeas - defendem elas - suas criais de quaisquer predadores ou perigos naturais, com uma diferenciada garra e um tanto de intuição feminina.


Já no Brasil, sem qualquer guerra, foi então Princesa Isabel que assinou a Lei Áurea, determinando assim o fim da escravidão, sem que nenhum tiro fosse disparado, ainda no Brasil, não falta pastos, dos quais ordenhamos vacas, e delas o leite retiramos, tanto para conservar nossa estrutura nutritiva com base no leite, e também criando derivados, como queijos, doces, manteiga, ou seja, uma estranha ficção pelo leite materno, porém transferindo essa atual responsabilidade produtiva à fêmea bovina, o que seria afinal do mundo sem o leite, as vacinas foram encontradas em meio a essa relação, ciência e culinária juntas.

V - A Mãe Natureza ----------------------------------------------------------------------


Já a natureza, é tida como uma mulher - Mãe Natureza - assim como no campo simbólico, as imagens das mulheres são associadas às águas (Mar e Oceano), Lua e a Terra (eu poderia especular sobre muitos achados quanto à isso, porém prefiro desenvolver num âmbito científico mais profundo, destacado deste ensaio - antecipo apenas sobre algo, que chamo de águas negras da angústia - o retorno ao ventre). E há algo de sutil e tênue nessa associação da força feminina - uma força diferenciada dos homens, pois é algo superior à força muscular, é a força de gestos gentis e afetos propagados pelos princípios da feminilidade de cada espécie.


Se então o Sol, em meio a sua onipotência, onipresença e onisciência, assim como Deuses monoteísta e deuses politeístas (Zeus, Javé, Alá, Buda...) e outros, pode ser considerado um ser masculino, a simples e pequena Lua terrestre, pode destronar este Sol, apenas se colocando em sua frente - um eclipse - o venerado e místico eclipse, que igualmente assim como Sol e Lua, tem sua atenção em qualquer sociedade humana - tribal ou atual; mostrando assim aos homens, que a sutileza vence a força, sem grandes esforços.

As interpretações são as mais variadas, mas