2020

II -Segundo Ato

Aproveite a Leitura

  • A Palavra Sonora - Phelipe Saliente

Candeia - Um Inspetor da Cultura no Samba


Antônio Candeia Filho, natural do Rio de Janeiro, nascido em 17 de agosto de 1935. Popularmente conhecido como Candeia, sambista, compositor, cantor, instrumentista e investigador policial carioca.


Nascido no subúrbio fluminense, desde pequeno sempre esteve muito ligado ao samba, graças ao seu pai, Antônio Candeia que tocava flauta em rodas de choro e samba na década de 1930, e além do mais, seu pai é considerado um dos idealizadores das Comissões de Frente do Carnaval de Escola de Samba.


Candeia residia no bairro de Oswaldo Cruz, onde atualmente se situa o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, ou simplesmente Portela, desde sua infância esteve rodeado de grandes sambistas da época, era frequente a circulação deles em sua casa e sambistas esses como Paulo da Portela, João da Gente, entre outros. Candeia influenciado por todo esse movimento artístico aprendeu logo cedo a tocar violão e cavaquinho, frequentou rodas de capoeira e terreiros de Candomblé, respirando assim uma cultura ancestral, próxima a origem propriamente do ideal musical do Samba.


Já como integrante de Escolas de Samba fundo o Bloco de Carnaval - Vai Como Pode, e em meio a esse ambiente cultural, participou do núcleo original que fundou a GRES - Portela, consolidando assim o ideal da escola de samba, e ela se firmando como umas das grandes escolas do carnaval carioca.


Ele demonstrou durante seus trabalhos talento para a composição desde cedo, Candeia em 1953 já viria a ganhar seu primeiro samba enredo para o carnaval daquele ano intitulado “Seis Datas Magnas”, conseguindo nota máxima do júri, até então uma inédita no carnaval. Candeia ainda viria a ganhar outros quatro sambas junto à agremiação e criou tantas outras composições gravadas inclusive por Cartola e interpretadas por grandes músicos, como:


PRECISO ME ENCONTRAR (Candeia)

Dueto Marisa Monte & Zeca Pagodinho

Yamandú Costa (Violão) & Hamilton Fernandes (Bandolim)

No início da década de 1960 ele viria a ingressar na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com o cargo de investigador de polícia. Era considerado um policial de posição rígida, e também astuto, ganhando assim condecorações na corporação, contudo atraiu também olhares descontentes, os maus malandros dos subúrbios cariocas, pois para Candeia o que importava realmente era o cumprimento da lei, independentemente de amizades. Nesse tempo Candeia não abriu mão do samba, dirigiu o grupo Mensageiro do Samba ao lado de Picolino e Casquinha (um dos seus grandes amigos e parceiros).


Sua carreira policial viria a se encerrar de modo trágico em 13 de dezembro de 1965. Ao se envolver em um acidente de trânsito, foi surpreendido pelo motorista que lhe desferiu cinco tiros, um desses tiros acabou tirando movimento das pernas de Candeia, deixando-o paraplégico, assim a fatalidade lhe fez ter de usar cadeira de rodas. Esse momento o deixou em depressão, e ao mesmo tempo fez com que ele se dedicasse única e exclusivamente ao samba e até fez com ele mudasse sua personalidade de policial rígido e truculento por vezes, para um compositor e um homem mais centrado.


Na década de 1970 com sua autoestima recuperada Candeia teve seu primeiro LP gravado como intérprete e o álbum tem o nome de “Candeia”. Um álbum único, em que ele consegue expressar tudo aquilo que estava vivendo no momento, a música Dia de Graça conta a felicidade do povo negro no dia de carnaval, porém que se acaba no dia seguinte, e a música De Qualquer Maneira apresenta seu próprio ideal - ele iria continuar com a bandeira do samba erguida mesmo com sua perca de mobilidade nas pernas.


Candeia viria a gravar mais quatro discos solo e outros três com o grupo Partido em 5. Ele trabalhou, acreditou e fez samba, consolidou seu estilo numa essência única, chamada de Partido Alto, característica própria de se fazer Samba. Em 1978 em decorrência de problemas renais, Candeia veio a falecer, gerando grande tristeza ao mundo samba, logo os compositores e sambistas Wilson Moreira e Nei Lopes trataram de partir para caneta e compor uma grande homenagem ao mestre Candeia, a grande música intitulada Silêncio de Bamba.


Antônio Candeia Filho, foi sujeito homem, aliou grande respeito no mundo do samba, ao certo deveria ser um nome reconhecido nacionalmente, pois além do mais, foi expoente que auxiliou em transmitir o samba até internacionalmente, mas o modo como ele escrevia e pensava ao certo causa estranheza na música popular, aos sons e tons, que encontram solução imediata, e que também somem quase que imediato, mas nesse caso o samba de Candeia e do Partido Alto não.


Ele lutou e acreditou nas causas dos negros, pelo seu povo, considerava desde muito jovem como sendo o povo discriminado no Brasil, e mesmo que de forma velada ele considerava esses fatores, tais opiniões como essas impediram que o grande mestre Candeia tivesse a grande fama no "circuito popular" da música popular brasileira, ou em sambas de multidões, enfim, não passou despercebido pelos alicerces que ajudou a estruturar tanto na música popular brasileira, como propriamente no Carnaval carioca, abaixo deixamos um breve documentário sobre o falado Partido Alto de Leon Hirszman.


PARTIDO ALTO (1976-1982)

Leon Hirzman

CANDEIA - UM INSPETOR DA CULTURA NO SAMBA

Phelipe Saliente (2016)

MATERIAIS COMPLEMENTARES

Prece ao Sol (Música)

Pintura Sem Arte (Música)

Dia de Graça do Povo Negro (Música)



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