2020

II -Segundo Ato

Aproveite a Leitura

  • O Policarpo

A Curva da Serra - O Corcel e o Mustang

Você não será páreo jamais, há todos os meus cavalos, suas quatro patas não subjugaram os meus oito cilindros!

Certo é, seu pelo brilha belo, crina livre voa, vai e volta, atoa, fina, lisa e torta, curva negra, sem cela, pasta livre e solto!


...........................Corcel negro e tolo, nós dois temos bancos de couro...........................

I............................................................................................................................................

............................................................................................................................................I


Vamos, se prepare para nossa corrida, logo esses caminhões irão me libertar. Aguarde em segundos vamos começar e nada mais irá nos engarrafar!


Estou a postos, sinal verde, pista lisa, limpa, plana e cinza - motor aquecido, tenho válvulas, cavalos metálicos, respirando chamas, sangue negro em minhas veias clamam - flamas labaredas, na velocidade dos cometas!


II...........................................................................................................................................

...........................................................................................................................................II


Animal você verá, que meu Mustang 69 você não vencerá, nas curvas de Santos, ao pé da serra só um de nós terminará - o que vamos agora começar!


Deixo você correr nessa sua pista marginal, verde matagal, refém de seu instinto animal, não sei se você sabe contar, mas vamos lá... é 3... 2... 1... e já!


III..........................................................................................................................................

..........................................................................................................................................III


Embreagem desperta, pista reta - direção, espelho ajustado e abro a janela - veja que bela, minha máquina funesta, eu saí em 0 agora é 10, 20, 30, 100, 110, 120 quilômetros, milhas e léguas, correndo mais que todas as feras!


Eu voo mais rápido que uma flecha, corra cavalo, você não ganhará, não me vencerá, nossa chegada é a curva da serra, o vencedor será o herói, coroado por uma auréola!


IV.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................IV


Admito, você é rápido a 50 quilômetros por hora, sua pista deve ser mais curta, que a poesia de uma novela, mas sua crina, me faz ver a eterna chama negra da vela, me distraio nesses carros, obstáculos, me atrasam, lesmas - stylommatophoras velhas!


Ouça minha marcha, minhas engrenagens e o eco distante dessas cidadelas, enquanto meu escapamento cospe chumbo em todas elas!


V..........................................................................................................................................

..........................................................................................................................................V


Seu joelho é velho, dobradiça-cartilagem, músculos, ossos fortes, mas todo feito de alface, meu pistão não, é prateado e iluminado, vencerá nosso combate, ele é feito pelo homem - heróis do infinito e filhos da coragem!


Não me diga que vai cansar, refugar e desanimar? Cavalo covarde, por acaso se assustou com o horizonte nos trazendo o fim de tarde?


VI.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................VI


Meu Mustang é guerreiro, você é só um Corcel selvagem, andante tropeiro, sem sapatos de ferreiro. Azar de suas patas, não terem ferradura da sorte; sorte de meus pneus, estarem vestidos de borracha forte!


Admito, seus olhos me seguem, enquanto eu corro mais rápido que a morte, mas não se iluda, eles não brilham como o verniz do meu console!


VII........................................................................................................................................

........................................................................................................................................VII


Te farei inveja até a linha final, você perdeu antes de começar a correr, você perdeu quando não se deixou domar!


Quem você acha que é afinal? Um cavalo livre, nesse mundo selvagem? Não me faça rir, somos todos escravos, desses seres covardes!


VIII.......................................................................................................................................

.......................................................................................................................................VIII


Corra... corra mais, acelere o trote, voe sem cela, passe essa vaca e todos os obstáculos, depois veja se puder, minha placa amarela!


Isso mesmo, fique para trás, enquanto o vento esfarela, sinta o metal romper a inércia, vácuo vazio, saltando pela janela!


IX.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................IX


Corra... corra mais, seu cavalo tagarela, pangaré sem cela, você é só uma fraude, não é um vencedor alado, como meu Mustang turbinado!


Estamos chegando no destino traçado, estou à sua frente, vencerei como havia anunciado, veja a curva de Santos, surgindo sobre o morro verticalizado!


X..........................................................................................................................................

..........................................................................................................................................X


Já você, ficou para trás, eu olho no retrovisor e não te vejo mais! Tarde demais, sou o vencedor!


Pé direito na embreagem, esquerdo no acelerador, mãos ao volante, o que deu em mim, minha cabe